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Se não fores capaz de explicar à tua Avó…

Se não fores capaz de explicar à tua Avó…

...então é porque não percebeste”, diz o ditado norte-americano.

O conhecimento e aprendizagem ganharam uma nova dimensão, passando a ser perspectivados como um processo que se consolida ao longo da vida, independentemente da idade. No mês em que se celebra o Dia Mundial do Avós, fazemos uma reflexão sobre a importância do saber e do papel das Universidades da Terceira Idade na sociedade portuguesa.

O perfil dos seniores portugueses de hoje, que representam 15,3% da população (2000), distingue-se do das gerações anteriores, na medida em que tem uma esperança média de vida superior, usufrui de melhores cuidados médicos gozando, consequentemente, de melhor saúde, detém meios económicos e idades de reforma mais favoráveis. Assim, de uma forma geral, o idoso português actual é mais dinâmico e activo e, como tal, tem uma necessidade mais sublinhada em ocupar-se, aprender, manter-se actualizado. Ora, as Universidades da Terceira Idade (UTIs) vêm responder ao desafio apresentado por esta alteração do tecido social proporcionando formas de tornar esta fase da vida já de si tão rica, mais fecunda, mais participativa, mais solidárioa e menos só.

Em 1976, foi fundada a primeira UTI, a Universidade Internacional da Terceira Idade de Lisboa. No entanto, é apenas nos anos 90 que as UTIs proliferam pelo país. É um fenómeno maioritariamente urbano, com maior implantação geográfica no litoral, mas que ainda assim abraça aproximadamente 80 instituições e cerca de 12.000 alunos. A maioria destas academias são associações sem fins lucrativos, cujos professores são voluntários, com mensalidades reduzidas, valor simbólico de 15 € - e que usufruem das instalações cedidas pelas autarquias. Há, no entanto, casos em que os professores são pagos, o que implica um aumento das propinas, e em que as instituições utilizam as suas próprias instalações. Os principais objectivos das UTIs são:

  • promover a participação e a organização dos seniores em actividades culturais, de cidadania, de ensino e lazer;
  • divulgar não só diferentes áreas de conhecimento (história, as ciências, as tradições, as artes); como também valores (a solidariedade, a tolerância), despertando para outros fenómenos socio-culturais comuns aos os seniores.
  • estabelecer-se como pólos de informação e divulgação de serviços, deveres e direitos dos seniores.  

Para alcançar os seus objectivos, estes centros de aprendizagem ensinam línguas (nativa e estrangeira), ciências sociais e humanas, cultura (música, arte, literatura), saúde (nutrição, cuidados primários), informática e artes práticas (pintura, desenho, artesanato). De uma forma geral, estas academias desenvolvem um papel importante na promoção do convívio salutar e útil entre os seniores, proporcionando a oportunidade de aprender e ensinar, contribuindo assim para o combate à exclusão social. Com efeito, de acordo com o Núcleo de Investigação Sénior, as UTIs têm vindo a oferecer para uma melhoria da qualidade de vida dos idosos, prevenindo os sintomas da depressão. A ocupação do tempo livre passa, então, a ser gerida de forma distinta.

Hoje em dia, os avós portugueses podem investir os seus tempos livres em actividades de enriquecimento pessoal, convivendo com outros avós que partilham interesses e preocupações semelhantes, lutando, activamente, contra a depressão e a exclusão social.



Fonte: "Alguns dados sobre a população idosa em Portugal, em 2000", in A Avós e Netos [em linha], 2009, http://www.avosenetos.pt/docs/idoso/Estatisticas.php [consultado em 26-07-2009]. "As universidades da Terceira Idade em Portugal. Contributos para uma caracterização". Resumo da Tese de Doutoramento de Esmeraldina Veloso, (2004). ", in RUTIS Rede de Universidade da Terceira Idade [em linha], 2009, http://www.rutis.org/cgibin/reservado/scripts/command.cgi/?naction=4&mn=EkpFuVlEZFVUvrjMAo [consultado em 26-07-2009].

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